Assembleia aprova Semana de Conscientização sobre Dislexia

Assembleia aprova Semana de Conscientização sobre Dislexia

 

Quando a criança tem dificuldade para encadear as letras e formar as palavras, e não relaciona direito os sons às sílabas formadas, trocando certas letras ao ler e escrever, é bem possível que ela enfrente um distúrbio genético chamado dislexia. Mas você sabe o que é isso? Quais são os seus sintomas? Como tratar, caso você se depare com uma situação desta na família?

Para responder a essas e outras perguntas, o deputado estadual Bruno Lamas (PSB) aprovou, na terça-feira (28), na Assembleia Legislativa, o projeto de lei de sua autoria que cria a Semana de Conscientização sobre a Dislexia, a ser comemorada, anualmente, no dia 8 do mês de outubro, considerado, mundialmente, como sendo o Dia Internacional sobre o tema.

Agora, o governador Renato Casagrande (PSB) terá 15 dias para sancionar ou vetar a proposta.

“A dislexia atrapalha a leitura e o aprendizado. E muitas pessoas precisam de apoio, tratamento e acolhimento. Esses temas sensíveis, como o autismo, o Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) e a própria dislexia, precisam estar na pauta da saúde, da assistência social e da cidadania a todo momento”, declarou.

De acordo com Bruno, a instituição de Semana Estadual de Conscientização sobre Dislexia vem em boa hora, tendo em vista a necessidade de construir uma grande rede protetiva e de esclarecimento acerca do assunto, com amplo apoio e participação de todos os setores da sociedade.

“Quando pensamos numa semana para debater o assunto, queremos dar intensidade ao debate, com a apresentação de estudos e seminários. A ideia é fomentar políticas públicas que possam melhorar a vida de quem tem dislexia ou de quem é pai, mãe ou familiar do disléxico”, frisou o parlamentar.

Sensível a essa causa social ainda pouco conhecida, Bruno garantiu que irá promover ações para que essas crianças possam ser acolhidas de forma adequada pelas redes de educação.

Para o deputado, somente quem passa pelos distúrbios ou convive com eles no dia a dia sabe das dificuldades.

“Como agente representante da sociedade no Legislativo estadual, estarei movimentando o meu gabinete no sentido de encontrar maneiras para que os transtornos sejam melhor conhecidos pela sociedade e comunidade escolar e, com isso, tenhamos um olhar diferenciado para essas crianças”, garantiu Bruno.


MÃES

O assunto chegou até o deputado por meio de um grupo de mães, encabeçado por Sônia Damasceno e Mariana Fernandes. Elas propõem a criação de uma associação estadual para divulgar os transtornos, buscar políticas públicas e melhorar o desenvolvimento no dia a dia, tanto no âmbito escolar como na rede de saúde, das crianças e adolescentes que passam por esses distúrbios.

Segundo Sônia Damasceno, mãe do Davi, de 5 anos, há associação entre TDAH, TOD e dislexia, o que requer uma atenção especial por parte do poder público. Ela revela que hoje pais e familiares de pessoas diagnosticadas com os transtornos recebem o laudo médico e ficam à mercê da própria sorte.

“Queremos divulgar essas síndromes para que professores, pedagogos e a comunidade em geral possam dar atendimento adequado a essas crianças. O direito à educação e à saúde é básico na Constituição. É preciso conhecer o que são esses transtornos psíquicos para podermos dar melhores condições de vida a essas crianças. Elas não são burras e atrasadas. Mas precisam de uma educação diferenciada”, reforça Sônia.


SAIBA MAIS

DISLEXIA

O que é?
A dislexia é um distúrbio
genético que dificulta o aprendizado e a realização da leitura e da escrita. O cérebro, por razões ainda não muito bem esclarecidas, tem dificuldade para encadear as letras e formar as palavras, e não relaciona direito os sons às sílabas formadas. A pessoa começa a trocar a ordem de certas letras ao ler e escrever.

Quais os sintomas?
- Trocar letras, principalmente quando elas possuem sons parecidos, como “f” e “v”, “b” e “p”, “d” e “t”;

- Pular ou inverter sílabas na hora de ler ou escrever;

- Fala prejudicada;

- Não conseguir associar letras e sons;

- Confundir palavras que soam parecido, como macarrão e camarão;

- Erros constantes de ortografia;

- Lentidão na leitura;

- Problemas de localização de esquerda e direita;

- Dificuldades para estudar.

Quais sãos as causas?
- Histórico familiar

Como prevenir?
Por se tratar de um distúrbio genético, não há como prevenir a dislexia. A saída é detectá-la precocemente para assegurar o aprendizado da criança e sua qualidade de vida.

Como é feito o diagnóstico?
Ele é feito por neurologistas, fonoaudiólogos e psicólogos, geralmente entre os 8 e os 9 anos de idade. No consultório, o especialista diferencia a dislexia de outros transtornos, como o déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), além de descartar problemas emocionais ou neurológicos que interfiram na leitura ou na escrita.

Como é o tratamento?
Embora a dislexia não tenha cura, é possível levar uma vida normal se houver suporte especializado desde cedo. O tratamento com fonoaudiólogo e psicólogo permite criar estratégias para superar as dificuldades com as palavras. A terapia também é importante para dirimir possíveis crises de autoestima.

Como a criatividade é um traço marcante entre os disléxicos, aconselha-se aos pais a estimular a criança a desenhar, pintar, tocar instrumentos musicais e praticar esportes.

Fontes: Associações Brasileiras do Déficit de Atenção (ABDA) e de Dislexia. 

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